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Em maio de 1999 a Rede Manchete foi vendida numa transação fora do comum. Amilcare Dalewwo, proprietário de uma empresa de Telecomunicações, a TecNet, e também da Produtora Independente "TeleTV", firmou a compra da TV Manchete Ltda. Nessa transação, o empresário receberia as cinco concessões da emissora juntamente com o quadro de funcionários, mas sem incluir prédios,equipamentos e nem o nome da TV Manchete. A sucessora da TV, portanto, seria uma outra sócia na negociação, a Hesed Participações, que assim herdaria também a parte podre da empresa, composta por dívidas com o INSS, BAnco do BRasil e demais credores.

O negócio foi duvidoso. Principalmente porque a Bloch Editores seria a fiadora da Hesed quanto ao pagamento das dívidas, segundo versão contida no site da Revista Manchete. Dessa forma, acabou acontecendo algo nem um pouco inesperado: a Hesed declarou falência por não ser capaz de honrar os compromissos das dívidas e assim a Editora voltou a ser a responsável pelos pagamentos. Inviabilizado de honrar tais compromissos e em fase de estripamento de suas empresas, o Grupo Bloch pediu concordata e moveu um processo contra Amílcare Dalewwo, alegando que a responsabilidade do pagamento da dívida deveria recair primeiramente sobre a sócia da Hesed no negócio, a TV Ômega, razão social da RedeTV!. Esta manobra, no entanto, acabou não surtindo efeito. A justiça reconheceu a RedeTV! como sucessora da TV Manchete e reconheceu também que toda equalquer dívida seria responsabilidade de Amílcare, mas a Bloch Editores não suportou a demora no cumprimento da Lei e pediu auto-falência em agosto de 2000.

Revistas fora de circulação, prédios lacrados, bens embargados e desemprego. Essas foram as consequências imediatas. Mas outras fora do escopo previsto ocorreram logo em seguida. Oficiais de justiça expulsaram funcionários da Hesed Participações que contabilizavam os equipamentos e o acervo que a empresa adquiriu quando comprou a TV Manchete, ainda dentro do prédio-sede na rua do Rússel, segundo relatos do próprio presidente Fábio Saboya. Os condicionadores de ar e aparelhos de climatização foram desligados e assim o acervo da Manchete começou a se deteriorar deste então.

Os prédios interditados foram: sede na praia do Flamengo, sede paulista, a gráfica (a maior da América Latina), O Complexo televisivo de Água Grande (propriedade da Bloch Som & Imagem) e escritóios espalhados pelo Brasil.

Quadros de grandes pintores, monumentos valiosos e até mesmo uma novela foram embargados como forma de garatir o pagamento das dívidas da Bloch. A novela Tocaia Grande, de propriedade da Bloch Som & Imagem (uma terceira empresa), foi entregue para os credores.

Em 2001, ex-funcionários da Massa falida entraram com um pedido na justiça para voltarem a publicar as revistas da editora, como forma de mater fortalecidas as marcas e garantir o emprego para parte dos desempregados. As revistas entraram em circulação, mas em seguida a Editora Escala adquiriu, além da sede paulista da Bloch, os títulos das publicações.

A Bloch Som & Imagem, empresa criada com o objetivo de produzir programas para a própria TV Manchete, sendo assim proprietária de equipamentos, arquivos e do Complexo de Água Grande, faliu junto com sua empresa mãe. A Rádio Manchete FM foi vendida antes mesmo da TV Manchete, para o Grupo evangélico Renascer em Cristo. A Rádio Manchete AM portanto, foi a única que continuou como propriedade da família Bloch, passando desde então por tentativas de arrendamento que não fincaram.

O DESTINO DOS PRÉDIOS E DA EDITORA

As publicações da Bloch Editores foram adquiridas pela Editora Escala, juntamente com a sede Paulista da Manchete. A Escala vem lançando as revistas no mercado com a assinatura da "Editora Manchete", criada exclusivamente para tal.

O prédio sede da Bloch Editores no Rio de Janeiro foi adquirido pela UNIVERSO (Universidade Salgado de Oliveira) em 2004, que já modificou o letreiro que antes mostrava "Bloch Editores - Manchete", e já estará utilizando-o como novo campus a partir de 2005.

A SITUAÇÃO EMPREGATÍCIA

Os ex-funcionários da Manchete têm conseguido sucetivas vitórias na justiça contra a RedeTV!, que até então não se considera a sucessora da TV Manchete Ltda. A jutiça entendeu a TV Ômega (sua razão social), como sucessora definitiva da TV Manchete, o que significa que toda dívida trabalhista é de responsabilidade da empresa de Amílcare Dalewwo. No início de junho deste ano, mais uma sentença foi definida em favor dos funcionários e contrária à RedeTV!. Sendo assim, a dívida da "nova" emissora já é considerável e, baseado nisso, pode-se considrar a RedeTV! como uma empresa falida desde a sua estréia.